quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


Cuidados bucais aos portadores da síndrome de Down

Hoje, no Brasil, mais de 300 mil pessoas são portadoras da síndrome de Down. A entrevista com a cirurgiã-dentista Dra. Jane Sanchez apresenta um pouco mais do universo destes pacientes tão especiais.

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Por: Vanessa Navarro

Odonto Magazine - A síndrome de Down é, dentre as anomalias genéticas, a de maior ocorrência. Existe um protocolo de atendimento definido pelas autoridades odontológicas para pacientes portadores de tal síndrome?
Jane Sanchez - A síndrome de Down foi descrita em 1866, pelo médico britânico John Haydon Down, que atribuiu à síndrome o termo mongolismo, devido à semelhança física com pessoas que habitavam a Mongólia. Entre tais semelhanças, estavam: a pequena prega no canto interno das pálpebras, a inclinação para cima das fendas palpebrais e o achatamento dos molares.
Em 1959, o cientista francês Jerome Lejeune demonstrou que a síndrome de Down era causada pela presença de um cromossomo extra do par 21, o que permitiu a sua denominação também como síndrome da trissomia do cromossomo 21.
As alterações sistêmicas e anatômicas da síndrome, incluem: hi-potonia muscular, desenvolvimento neuropsicomotor retardado, cardiopatia congênita, atresia duodenal, leucemia, entre outras.
Dentre as características faciais e orais, temos: menor crescimento crânio facial; menor número de cáries dentárias; e uma maior susceptibilidade à doença periodontal; possuem uma macroglossia relativa, devido ao pequeno espaço encontrado para o posicionamento da língua.
A incidência da síndrome de Down é de 1:800 nascimentos. Segundo dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), o número de casos no país supera os 300 mil.
Encontramos várias publicações de propostas de protocolo para atendimento aos pacientes com necessidades especiais.
Em 2010, o Conselho Regional DE Odontologia do DF e a Secretaria de Estado de Saúde criaram uma Comissão para Atendimento Odontológico ao Paciente com Necessidades Especiais e elaboraram um protocolo de atendimento, que pode ser encontrado em http://www.stdweb.com.br/stdweb/imagensCRO-DF/protocolo_final.pdf.
Este manual é muito interessante, pois auxilia o cirurgião-dentista na questão do atendimento, além de informar sobre a documentação do paciente.
Em 2012, um grupo de especialistas elaborou as Diretrizes para a Atenção à Pessoa com Síndrome de Down. Pela primeira vez, o Ministério da Saúde se mobilizou para estabelecer condutas para atendimento desse grupo populacional. Tais condutas estão disponíveis em:http://pt.scribd.com/doc/137474123/Diretrizes-Cuidados-Sindrome-Down.

Odonto Magazine - Algumas manifestações sistêmicas, como o funcionamento da glândula da tireoide, podem causar modificações no quadro de saúde bucal dos pacientes com síndrome de Down. Quais são as principais alterações sistêmicas? Como tais manifestações podem interferir na saúde bucal?
Jane Sanchez - O hipotireoidismo, o diabetes mellitus, a hepatite crônica ativa são alguns exemplos de patologias autoimunes, cuja incidência está aumentada nesses pacientes.
A prevalência de doenças da glândula tireoide em pacientes com síndrome de Down é alta. O hipotireoidismo é mais comum nestes pacientes. Os sinais e sintomas do hipotireoidismo, são: diminuição dos reflexos, pele seca, retardo no desenvolvimento intelectual e músculo esquelético, queda de cabelo, sonolência, aumento de peso, colesterol elevado, etc. Tais alterações podem interferir na saúde bucal, visto que interferem na saúde geral do paciente.
O diabetes mellitus, também frequente nestes pacientes, requer todos os cuidados inerentes aos pacientes com a patologia.

Odonto Magazine - Quais são as manifestações orais mais apre-sentadas pelos pacientes portadores da síndrome de Down?
Jane Sanchez - As manifestações orais na síndrome de Down incluem: mandíbula e cavidade bucal pequena, palato estreito alto e ogival, macroglossia relativa e língua geográfica. É comum a postura da língua aberta, devido a uma nasofaringe estreita, tonsilas e adenoide hipertrofiada. A protrusão da língua e a respiração bucal frequente resultam em secura e fissura dos lábios.
Na região das comissuras labiais, podemos observar a presença de queilite angular, devido à dificuldade do indivíduo em fechar a boca. A dentição apresenta anomalias características, e a doença periodontal é prevalente. Dentre as anomalias dentais, as mais frequentes referem-se à oligodontia, microdontia, hipodontia, fusão e taurodontia.
A hipodontia ocorre nas duas dentições e a microdontia é a mais prevalecente das alterações observadas. As anomalias dentárias de desenvolvimento, como as malformações coronárias e radiculares, também são comuns. Desarmonias oclusais, mordidas cruzadas posteriores, apertognatia e apinhamento pronunciado dos dentes são habituais nestes pacientes.

Odonto Magazine - Os pacientes com síndrome de Down, normalmente, apresentam algum tipo de alteração na composição salivar. Como esta modificação pode influenciar na saúde bucal geral?
Jane Sanchez - O fluxo salivar de pacientes com síndrome de Down é, em média, 50% menor do que em crianças normais. Esta redução está vinculada, preferencialmente, ao metabolismo da glândula parótida. Além disso, o pH salivar é mais alto, assim como os níveis de sódio, cálcio e bicarbonato. Consequentemente, a capacidade tampão também é elevada, o que acarreta uma baixa incidência de cárie.

Odonto Magazine - Qual é a importância da abordagem no atendimento do bebê com síndrome de Down nos primeiros seis meses?
Jane Sanchez - É muito importante examinar a cavidade bucal e detectar, precocemente, alguns problemas de saúde, propiciar a identificação e a intervenção prematura acerca de problemas, tais como: o desmame precoce, a anquiloglossia e as doenças bucais da primeira infância. Alertar quanto à erupção tardia dos dentes decíduos e a higiene, que deve começar antes da erupção, na cavidade bucal.
Uma alimentação adequada – do ponto de vista de consistência e qualidade – e o fracionamento das refeições têm influência direta na saúde oral.
A adoção de hábitos alimentares saudáveis na infância contribui para o bom crescimento, desenvolvimento e prevenção de doenças, portanto, é de fundamental importância detectar, precocemente, os erros alimentares, devido à repercussão na saúde oral e no estado nutricional.

Odonto Magazine - Alguns estudos apontam os benefícios do uso da toxina botulínica em determinados tratamentos odontológicos. Como a prática pode ser aplicada no caso de pacientes portadores da síndrome de Down?
Jane Sanchez - O uso da toxina botulínica para o controle do bruxismo nos pacientes que inviabilizam a utilização da placa miorrelaxante pode ser muito interessante, pois deve minimizar os efeitos do hábito de ranger os dentes neste grupo de pacientes.
Ao aplicar a toxina no masseter, a tensão diminui. Assim, o tecido não tem força suficiente para promover o atrito entre os dentes, capaz de causar desgaste.
A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina, neurotransmissor que transporta mensagens entre o cérebro e as fibras musculares. Sem ordens para se movimentar, o tecido relaxa e, quando sua tensão está por trás de tormentos, eles vão embora por, pelo menos, seis meses.
A toxina botulínica começa a atuar quatro dias depois da aplicação, e sua ação diminui com o passar do tempo.
A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação. Somente os intolerantes à lactose precisam evitá-lo, pois o açúcar do leite serve como uma espécie de veículo para a droga.

Odonto Magazine – Qual é a importância do bom relacionamento do cirurgião-dentista com a equipe multidisciplinar envolvida no cuidado ao paciente com síndrome de Down?
Jane Sanchez - Alguns serviços de cuidado e estimulação voltados para pessoas com síndrome de Down oferecem atendimento de uma equipe terapêutica essencial, constituída por: fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico, nutricionista, pedagogo, além de uma equipe de apoio, composta por: médico, enfermeiro, dentista e assistente social. A equipe terapêutica deve atuar, semanalmente, junto ao paciente e sua família; e a equipe de apoio com periodicidade mensal, bimestral ou semestral.
É muito importante que estes profissionais estejam afinados e em constante contato, para que possam contribuir para a qualidade de vida do paciente com síndrome de Down e de seus familiares.

Odonto Magazine - Quais são os cuidados que devem ser tomados quando existe a necessidade de contenção física?
Jane Sanchez - É necessária a investigação da presença de frouxidão ligamentar atlanto-axial, previamente ao uso de con-tenção física. Quando presente, esta alteração contraindica o uso da técnica de contenção, devido ao risco de ocasionar lesões à coluna vertebral.
A analgesia inalatória é obtida por meio do óxido nitroso (O2 / N2 O) e foi descoberta, em 1844, por um cirurgião-dentista norte americano chamado Horace Wells.
No início era aplicada apenas com óxido (N2 O), para o controle da dor com a finalidade de anestesia, porém, foi identificado que, se utilizada em maior dose de gás puro, pode causar um grande risco ao paciente, deixando-o em um estado de inconsciência. Devido a este fator, esta técnica foi aprimorada e, atualmente, está empregada associada ao oxigênio (O2), com a finalidade principal de efeito relaxante e não com objetivo de anestésico. É utilizada em associação do anestésico local, a fim de obter o efeito desejado, tornando-se um excelente coadjuvante das técnicas de condicionamento psicológico.
A sedação inalatória consciente com a mistura de N2O/O2 (óxido nitroso/ oxigênio) apresenta significativas vantagens em relação a outras vias de administração, sendo, atualmente, a técnica de sedação consciente mais segura para controle do medo e ansiedade. O fato se deve a ação rápida e, consequentemente, eliminação. Este procedimento é utilizado após o condicionamento psicológico.
É indispensável o conhecimento de toda a patologia que envolve o paciente com síndrome de Down, para que seja feita a medicação consciente e eficaz nos momentos que requerem a intervenção do profissional da Odontologia.
Faz-se necessário, o perfeito entrosamento entre o médico e o dentista, para garantirmos a saúde e a qualidade de vida de nosso paciente.
Os pacientes portadores da síndrome de Down podem ser cardiopatas, diabéticos, hipertensos ou podem não apresentar nenhuma destas patologias. Cabe aos profissionais envolvidos, partilharem informações importantes para o cuidado necessário.

Odonto Magazine - Como a questão da qualidade de vida deve ser trabalhada pelos profissionais de saúde bucal junto aos pacientes portadores da síndrome?
Jane Sanchez - A discriminação contra as pessoas portadoras de síndrome de Down e as suas famílias, infelizmente, existe. Eles enfrentam, muitas vezes, o estigma, a segregação, a violência física e psicológica e a falta de igualdade de oportunidades.
O cirurgião-dentista deve garantir a saúde bucal aos pacientes por meio de ações preventivas e direcionadas aos cuidadores. Devem dar a oportunidade de cuidados estéticos, para que a autoestima seja sempre cultivada. Ela é essencial para este grupo de pacientes.
Os cuidadores e familiares dos pacientes com síndrome de Down perceberam que o melhor para todos é não escondê-los da sociedade, como muitos fizeram no passado, pois, quanto mais estes indivíduos forem vistos e conviverem com a população em geral, mais fácil será superar o preconceito.

Odonto Magazine – Como o profissional de saúde bucal deve agir para buscar capacitação e/ou treinamento no segmento de cuidados odontológicos aos pacientes portadores de síndrome de Down?
Jane Sanchez - Em todo o Brasil, temos cursos de especialização oferecidos aos cirurgiões-dentistas.
O curso de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, reconhecido pelo Conselho Federal de Odontologia – CFO, tem por objetivo o diagnóstico, a preservação, o tratamento e o controle dos problemas de saúde bucal dos pacientes que apresentam uma complexidade no seu sistema biológico e/ou psicológico, e/ou social, bem como percepção e atuação dentro de uma estrutura interdisciplinar com outros profissionais de saúde e áreas correlatas com o paciente.
Fonte: www.odontomagazine.com.br



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

QUASE 10 MILHÕES DE BRASILEIROS PRECISAM DE CIRURGIA NOS MAXILARES



Estimativa é feita pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia
Bucomaxilofacial, com base em pesquisas realizadas por institutos americanos e literatura nacional

 
O procedimento ainda é pouco conhecido e o nome pode até soar estranho, mas cerca de 10 milhões de brasileiros precisariam se submeter a uma cirurgia ortognática para a correção de problemas na maxila ou na mandíbula. A estimativa é feita pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Mario Francisco Real Gabrielli, com base em pesquisas realizadas por institutos norte-americanos e na literatura nacional da área.
"De acordo com os números, 60% da população do país necessita de algum tipo de tratamento ortodôntico, mas 5% só resolveria o problema se passasse pela intervenção cirúrgica", calcula o cirurgião bucomaxilofacial. Além de deixar o rosto assimétrico e esteticamente comprometido – fator que na maioria das vezes provoca o isolamento
social dos pacientes, pois precisam conviver com as "brincadeiras" maldosas das pessoas –, ter o queixo pra frente ou pra trás causa problemas funcionais graves, como apneia, dores na musculatura do rosto, dores na ATM, enxaquecas e até disfunções estomacais (devido à mastigação incorreta).
De acordo com Gabrielli, apesar de ainda ser considerada baixa, a quantidade de pessoas que buscam informações e decidem iniciar o tratamento cirúrgico vem crescendo. "O número de pacientes que têm acesso aos tratamentos em clínicas privadas ou em cursos é cada vez maior, e a quantidade de cirurgiões que realizam o procedimento também está aumentando." Segundo ele, quando o problema é moderado e o paciente ainda está em fase de crescimento, é possível usar técnicas de direcionamento para colocar os dentes na posição correta, mas, se a pessoa já for adulta, as compensações ortodônticas não chegam a resultados tão eficazes.

Uso do aparelho ortodôntico
Para que a intervenção cirúrgica possa acontecer, os dentes de cima e os de baixo precisam estar alinhados em suas respectivas bases ósseas, e esse posicionamento só é possível com a utilização de aparelhos ortodônticos fixos. Isso porque, para compensar o desalinhamento que ocorre entre a maxila e a mandíbula, os dentes acabam se movimentando pouco a pouco para melhorar a oclusão da boca. Por essa razão, o uso do aparelho é indispensável para a realização da cirurgia – o tempo de permanência com ele pode variar de seis meses a dois anos.

Fonte: Folha Online


 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

LENTE DE CONTATO DENTAL


Técnica proporciona ganho de estética com mínima intervenção.

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As novas facetas de cerâmica ou porcelana são tão finas, hoje em dia, que passaram a ser chamadas de “lentes de contato dentais”. Trata-se de restaurações indiretas que exigem nenhum ou um mínimo desgaste dos dentes e proporcionam, em determinados casos, um ganho bastante alto em termos de estética. “Comparada com as técnicas tradicionais de laminados e coroas, a ‘lente de contato’ preserva muito mais a estrutura quando bem indicada e bem executada”, diz o cirurgião-dentista Oswaldo Scopin, especialista em prótese dental.
Scopin afirma que a técnica é mais bem indicada para pessoas com dentes muito espaçados, mal posicionados ou irregulares, mas que não tenham nenhum problema severo na articulação têmporomandibular (ATM), apresentando oclusão estável, ou seja, ‘mordida perfeita’. “Costumo indicar ‘lentes de contato’ para pacientes adultos que já terminaram a fase de crescimento facial e que tenham um sorriso que necessita de acréscimo de material, principalmente quando não há necessidade de preparo ou desgaste dental. Um bom exemplo são os pacientes que têm dentes anteriores desgastados – o que dá um aspecto envelhecido”.
Confeccionadas em cerâmica ou porcelana (o que diferencia uma da outra é a composição do material e a marca comercial), as lentes de contato têm grande capacidade de adesão ao dente, sendo coladas ao esmalte. O especialista diz que, depois de colada, a faceta adquire resistência semelhante ao esmalte dental – em termos de resistência ao desgaste. “A durabilidade de qualquer restauração indireta é de aproximadamente dez anos, podendo durar mais ou menos de acordo com vários fatores, desde a indicação e execução clínica, até os cuidados do paciente durante a manutenção”.
Fumantes e pessoas que ingerem muito café, vinho ou chá devem estar mais atentos ao fato de que todo corante pode alterar a cor natural dos dentes. “Apesar de a ‘lente’ não mudar de cor, tanto o dente quanto o cimento resinoso usado na fixação podem sofrer alteração de cor com o tempo. Daí a fundamental importância de o paciente compreender que a correta manutenção das peças, em conjunto com o cirurgião-dentista, contribuirá para evitar ou minimizar esses inconvenientes”, alerta Scopin. O especialista diz que há sempre uma orientação específica de como prolongar a vida útil da técnica empregada. Em determinados casos, poderá ser feito um clareamento dental antes da colocação da lente – deixando uma margem de 21 dias entre uma técnica e outra.
A lente de contato dental só não é indicada para crianças e adolescentes, ou quando o paciente já tem prótese de porcelana ou cerâmica no dente. Outro fator a ser levado em conta é o preço. Por se tratar de uma técnica sofisticada, que exige mão de obra especializada – tanto por parte do cirurgião-dentista, quanto do protético – o valor de cada peça poderá variar entre R$ 1.500 e R$ 5.000. “Em geral, os ganhos em termos de aparência e autoestima compensam o investimento”, diz Scopin.
Em parceria com a cirurgiã-dentista Maristela Lobo, o especialista participará do 32º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP) – que acontece no Expo Center Norte, entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2014.
Na sexta-feira, 31 de janeiro, das 10h00 às 13h00, ambos conduzirão a palestra “Lentes de contato e laminados cerâmicos: procedimentos integrados para restaurações minimamente invasivas”, no auditório Beleza do Sorriso 3.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

HTLV: UM VÍRUS DA FAMÍLIA DO HIV


O HTLV (Human T Lymphotropic Virus) é um vírus minúsculo, visível somente em microscópios muito potentes (microscópios eletrônicos), que parasita determinadas células do sistema imunológico humano, denominadas linfócitos T.

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Assim, o paciente fica vulnerável a outras doenças externas, transmitidas por vírus ou bactérias.
O HTLV pertence à família Retroviridae, a mesma do HIV, porém, pertencente ao gênerodeltaretrovírus, que é diferente do vírus de imunodeficiência humano, que causa síndrome de imuno-deficiência adquirida (AIDS).
Apesar de menos conhecido do que o HIV, muitos pesquisadores acreditam que o HTLV seja mais antigo do que o vírus da AIDS. Foi o primeiro retrovírus claramente associado a uma malignidade, sendo isolado, em 1980, em pacientes de Linfoma de células T (EUA), já descrito primeiramente no Japão (1977).
Existem, basicamente, dois tipos de HTLV que, a apesar de bastante semelhantes, comportam-se de modos bastante diferentes no organismo:
  • HTLV-1: pode causar doenças, embora nem sempre cause.
  • HTLV-2: quase nunca causa qualquer dano ao organismo infectado.
Ambos estão relacionados com várias outras doenças, principalmente neurológicas. Entre as doenças, estão: paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV, leucemia de células T do adulto e uveíte.

Causas
Parece que algumas pessoas possuem uma predisposição genética para o desenvolvimento, porém, isso ainda está em estudo.

Sintomas
  • Lesões da pele (vermelhidão excessiva, placas avermelhadas, descamação, coceira, tumorações).
  • Aumento dos gânglios do pescoço, das axilas, das virilhas (ínguas).
  • Barriga inchada (por acúmulo de líquidos, aumento do baço e do fígado).
  • Anemia, febre persistente e pneumonias de repetição.
Estima-se que, no mundo, há entre 10 e 20 milhões de pessoas infectadas. O HTLV só provoca algum tipo de doença em aproximadamente 5% das pessoas infectadas, ou seja, em cada 100 pessoas infectadas pelo vírus, apenas cinco adoecem. Os demais permanecerão assintomáticos (sem qualquer sinal de doença) pelo resto das suas vidas, só vindo a descobrir que têm o vírus se forem, por exemplo, doar sangue e o exame de triagem do banco de sangue detectar a infecção.
O HTLV pode ser considerado um problema de saúde pública, já que é uma doença com alta incidência no Brasil. Estima-se que cerca de 50 mil baianos estejam infectados pelo vírus (Fiocruz). Não é tão divulgado pela mídia, apesar de ser um problema de saúde pública, pois os danos são muito menores do que os provocados pelo vírus da AIDS. Enquanto quase todos os portadores de HIV manifestarão a doença em algum momento da vida, apenas 5% dos infectados pelo HTLV vão apresentar os sintomas da doença, que acomete principalmente as mulheres.

Transmissão
Uma pessoa pode se infectar pelo HTLV (1 ou 2) das seguintes maneiras:
  • Recebendo transfusão de sangue contaminado pelo vírus.
  • Compartilhando agulhas, seringas, ou objetos cortantes que contenham sangue contaminado.
  • Por meio da amamentação com leite materno de mãe que seja infectada pelo vírus.
  • Através de relação sexual não protegida.
Não se adquire HTLV pelo beijo, pelo abraço, pela utilização do mesmo banheiro, pelo ar (tosse, espirro, etc.), ou ainda, pelo uso dos mesmos talheres, copos, pratos, toalhas e lençóis.

Diagnóstico
É realizado somente por exame sorológico (exame de sangue) específico, para pesquisa de anticorpos anti-HTLV- I/II no sangue. Após os exames de triagem, geralmente utilizando teste de ELISA.

Tratamento
Ainda não tem cura. Como o risco do desenvolvimento da doença associado ao HTLV é muito baixo, não existe indicação de tratamento nos casos assintomáticos, embora exista tratamento baseado em medicamentos e fisioterapia. A doença tem sido muito estudada por pesquisadores, mas o melhor método criado para combatê-la é a prevenção.
Fonte: www.odontomagazine.com.br


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

VOCE SABE O QUE É DTM?


A DTM (disfunção têmporo mandibular) é a segunda maior causa de dor na face, ficando atrás somente das dores do dente. As queixas mais comuns dos indivíduos com a DTM são: a dor ou desconforto na região da face e da ATM (articulação têmporo mandibular), dor essa desencadeada ou exacerbada pela função mandibular (mastigação principalmente); a limitação da função mandibular com ou sem desvios no movimento de abertura DTMbucal; os ruídos na ATM (estalidos e crepitações); as dores de cabeça; as alterações na qualidade do sono.

De acordo com dados de pesquisadores da USP, 22% da população apresenta algum tipo desta dor, que afeta mais as mulheres entre 20 e 40 anos.  Do total, cerca de 80% registra outra condição de dor frequente, como dor de cabeça e cerca de 4 a 10% dos casos podem ser resolvidos apenas através de cirurgia. O especialista Paulo Afonso Cunali, do Hospital Marcelino Champagnat, afirma que a gravidade pode variar, “Algumas dessas dores são limitantes, e algumas incapacitantes. Uma dor de dente é sempre uma dor forte, mas uma dor nas articulações das mandíbulas pode levar o paciente a ficar sem se alimentar”, afirma.

O diagnóstico das dores orofaciais é de responsabilidade do dentista especialista, mas a princípio todo profissional da saúde poderia fazer um diagnóstico básico. A dor pode se manifestar de várias formas, mas as mais comuns acontecem na mastigação e no ato de bocejar, ou dentro da boca com uma dor exacerbada quando em contato com substâncias muito frias ou muito quentes. É muito comum, também, que os acometidos por esse mal tenham sintomas como dor de cabeça, problemas de sono, zumbido ou dores no ouvido e até depressão.

Maria Luiza de Pinho Sepulcri teve sua primeira crise aos 16 anos, quando sentiu uma dor forte no lado direito do rosto. Na época, sem saber a origem do seu problema ela procurou um neurologista que afirmou se tratar de uma nevralgia, “Tomei muitos remédios e fiz várias infiltrações. O problema foi solucionado temporariamente, mas depois a dores voltaram”, desabafa. Algum tempo depois, as crises voltaram a acontecer repetidamente até que o caso se tornou crônico. Ela chegou a procurar um dentista, que lhe prescreveu o uso de aparelho, porém nada se resolveu.

Atualmente, aos 66 anos de idade, a professora aposentada se viu finalmente livre do problema. “Nas mãos do odontólogo do Hospital Marcelino Champagnat, tive diagnosticada a DTM e comecei o tratamento correto”, diz. A prescrição de exercícios para a articulação da mandíbula e uso de uma placa de proteção dos dentes durante o sono foi o que bastou evitar a dor. “Os tratamentos para essas dores relacionadas à função mandibular evoluíram muito, sendo o resgate da qualidade de vida o objetivo maior a ser reconquistado”, reforça Paulo Cunali.

É muito difícil prever a DTM, no entanto, é recomendável consultar um dentista com frequência, pois o diagnóstico antecipado aumenta a qualidade da recuperação, “O importante é que a maioria das DTM podem ser tratadas com procedimentos simples, desde que diagnosticadas em seus estágios iniciais.”, afirma Paulo Afonso Cunali.

TRATAMENTO ADEQUADO:

- Uso de antinflamatórios, relaxantes musculares: para diminuir a dor causada pelas DTM em geral.
- Placas oclusais e termoterapia: quando o controle de hábitos parafuncionais como o apertamento dentário diurno e o bruxismo do sono se faz necessário.
- Exercícios mandibulares de coordenação e fortalecimento: para recuperar e adequar a função mandibular.
- Aparelhos de reposicionamento mandibular: quando o tratamento dos distúrbios respiratórios do sono (ronco e apnéia obstrutiva do sono) se faz necessário (dentista especialista em DTM e Dor Orofacial também com formação em medicina e biologia do sono).
- Equilíbrio da oclusão: com próteses, ajuste oclusal ou ortodontia podem ajudar no controle das DTM de forma geral, mas não devem ser feito preventivamente.
- Injeções/infiltrações articulares e musculares: quando a dor tiver origem diretamente nas ATM ou nos músculos da mastigação.
- Cirurgias funcionais das ATM: quando houver necessidade da reestruturação anatômica e funcional do complexo articular da ATM.