terça-feira, 13 de maio de 2014

MAU HÁLITO NA TERCEIRA IDADE




Estudo aponta para a necessidade da prevenção tanto em idosos quanto para quem está em processo de envelhecimento.

Boa higiene bucal, saliva adequada (em quantidade e qualidade) e o cuidado com a saúde em geral são fundamentais para prevenir o mau hálito na terceira idade, de acordo com a pesquisa da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), realizada durante o ano de 2013, com 252 idosos em todo o país.

De acordo com o IBGE, a projeção é de que a população de idosos no Brasil esteja em torno de 14% em 2025, o que colocará o país em sexto lugar em números absolutos no mundo. Diante dessa realidade é primordial garantir a esta população não apenas uma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida. No entanto, o aumento da idade está diretamente associado às doenças crônicas, responsáveis pelo grande número de medicamentos consumidos. Esta é uma das principais causas da halitose na terceira idade, entre outras que apareceram na pesquisa "Mau Hálito no Idoso", cujo objetivo foi analisar o problema por meio de um questionário para pessoas entre 60-65 anos (42,6% dos participantes) a 91-100 anos (0,4%).


Resultados
Entre eles, 60% afirmaram consumir mais de dois medicamentos por dia, e quase 82% ao menos um fármaco diário. Muitos destes medicamentos, como os antidepressivos e anti-hipertensivos, afetam a salivação e podem causar cáries, biofilme lingual (conhecido popularmente como saburra), boca seca e ardência. Os principais problemas de saúde apontados foram: pressão alta (55,82%), colesterol (32,13%), insônia (27,31%), problemas estomacais (26,10%), diabetes (25,70%), depressão (21,69%), prisão de ventre (18,47%), além de outros (12,05%). Lembrando que, muitos idosos se esquecem de citar medicamentos e problemas de saúde. O diabetes mellitus, por exemplo, causa alterações metabólicas e químicas resultantes da produção de acetona (hálito cetônico) e pode afetar a cicatrização bucal.

Queixa comum entre os idosos, a boca seca foi relatada por 70% dos entrevistados; desses, 45% disseram sentir a boca "sempre" seca. É um dos principais fatores do mau hálito, já que reduz a capacidade de autolimpeza bucal, favorecendo a ação de bactérias e a formação de compostos mal cheirosos.

Quando acumuladas sobre a superfície da língua, estas bactérias formam uma camada esbranquiçada - o biofilme lingual, ou saburra. Dos entrevistados, 50% disseram perceber o biofilme lingual "às vezes" ou "sempre" (levando em conta que nem todas as pessoas observam a língua, o que leva a crer em um número maior).

Quase 70% dos idosos disseram roncar "sempre" ou "às vezes", o que causa uma maior descamação da mucosa bucal, levando à formação do biofilme lingual.

Embora uma das principais queixas relatadas por mais de 60% das pessoas tenha sido um gosto desagradável ou "metálico", esta alteração não causa necessariamente mau hálito, embora possa deixar esta impressão.


Frequência da escovaçãoDe acordo com a pesquisa, 78,86% dos idosos entrevistados conservaram a dentição natural, apesar da alta prevalência do uso de próteses removíveis (65,84%), o que sugere que muitas vezes alguns dentes possam ter sido perdidos por cárie, periodontite etc.

Sobre a frequência da higiene bucal, 60% disseram escovar os dentes três ou mais vezes ao dia, contra 40% que afirmaram realizá-la apenas uma ou duas vezes. O que só reforça a conclusão da pesquisa de que, para mudar essa realidade, as ações educativas não só para a terceira idade, como para quem ainda está em processo de envelhecimento, são de extrema importância para a prevenção do mau hálito. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

SOBRE CLAREADORES DENTAIS





Em 25 de março, na capital federal, aconteceu a 5ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada da Agência Nacional e Vigilância Sanitária - ANVISA, a fim de tratar de diversos assuntos, dentre eles a proposta de Consulta Pública para edição da RDC que dispõe sobre o controle de agentes clareadores dentais.

O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) esteve presente na reunião, representado por Dr. Wilson Chediek, Presidente da Comissão de Ética e pela advogada do CROSP, Roberta Rizzo. Ainda, compareceu o Dr. Samir Najjar, Presidente do Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal e representantes da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO) e de empresas do ramo.

Desde 2011, o CROSP, o Conselho Federal de Odontologia (CFO), a Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (ABCD), a ABIMO e alguns de seus associados atuaram em conjunto para auxiliar a ANVISA na construção de regulamentação apropriada sobre o controle e comercialização dos agentes clareadores.

Na reunião da Diretoria Colegiada da ANVISA (DICOL), o relator do processo e Diretor Presidente da ANVISA, Dr. Dirceu Brás Aparecido Barbano, apresentou publicamente a proposta de resolução a ser encaminhada para Consulta Pública, manifestando, prontamente, seu posicionamento de aprovação do texto final para consulta à população.

O texto apresentado prevê que a comercialização dos agentes clareadores que possuem em sua composição acima de 3% de peróxido de carbamida ou peróxido de hidrogênio, se dará somente sob a prescrição de cirurgião-dentista, com comercialização garantida aos profissionais através dos fabricantes ou distribuidores, mediante a apresentação de documento de registro no Conselho Regional de Odontologia da jurisdição em que atua.

A proposta foi aprovada por unanimidade pela DICOL, de forma que a diretoria manifestou evidente preocupação com a comercialização e uso indiscriminado dos agentes clareadores por leigos que desconhecem os efeitos danosos do produto sem a devida indicação, prescrição e acompanhamento por cirurgião-dentista.
Os técnicos da ANVISA reiteraram que o uso indiscriminado de agentes clareadores pode trazer danos reversíveis e irreversíveis à saúde bucal da população, como é o caso de problemas periodontais, perda óssea e radicular, sensibilidade dental e, nos casos mais gravosos, a perda do elemento dentário.

Com a aprovação unânime do texto, a Consulta Pública deverá ser publicada no site da ANVISA em breve e ficará disponível para apreciação por 60 (sessenta) dias. Após esse prazo, a ANVISA considerará as sugestões apresentadas e elaborará o documento final da Resolução que será publicado e vigorará como regra quanto ao controle dos Agentes Clareadores. "Esse já seria um grande avanço, pois com a obrigatoriedade da prescrição os clareadores dentais apenas poderão ser comercializados em farmácias e sem exposição nas prateleiras", diz o Dr. Wilson Chediek.

Outros itens do documento que abordam rotulagem, embalagem, retenção de receita no ato da compra, entre outros, serão debatidos durante a consulta pública.

Vale frisar, por fim que, desde 2011 o CROSP vem insistindo junto à ANVISA sobre a necessidade da regulamentação dos agentes clareadores em benefício e proteção à saúde da população. Com o compromisso do ministro da saúde, Arthur Chioro, em menos de três meses no cargo, houve a priorização do assunto em pauta e agora os cidadãos e os profissionais da Odontologia poderão receber o benefício da norma que visa, evidentemente, à proteção da saúde.
Fonte: CROSP

terça-feira, 1 de abril de 2014

A IMPORTÂNCIA DO PRE-NATAL ODONTOLÓGICO




No período da gestação, tornou-se cada vez mais comum o trabalho em conjunto entre diversas especialidades da área da saúde para promover o bem-estar da mãe e do bebê. A Odontopediatra, área ainda pouco conhecida, adota cuidados com a saúde da gestante e do bebê, sendo responsável pelo pré-natal odontológico ou odontologia intrauterina. 

Segundo Déborah de Carvalho Gimenes, Odontopediatra da clínica Ética Saúde Bucal, para beneficiar a saúde do bebê, a gestante deve fazer o pré-natal odontológico, quando receberá orientações sobre o controle da placa bacteriana, por meio da escovação correta, do uso do fio dental e uso adequado do flúor. Caso seja necessário também pode se submeter a tratamento dentário.

A especialista explica que hábitos e doenças da gestante podem prejudicar a formação dos dentes da criança. Ela orienta que sejam realizadas até quatro consultas com orientações odontológicas especiais durante a gravidez. 

Quando estes cuidados não acontecem durante a gestação, há riscos de descalcificação da estrutura dental, o que acarreta no surgimento de cáries, que é uma doença infecta-transmissível, causada por bactérias existentes na cavidade bucal e que gera uma transmissão de mãe para filho através da saliva.


ProblemasAlgumas pesquisas científicas apontaram bebês prematuros e com baixo peso em mães que apresentaram saúde bucal insuficiente durante a gestação. Grávidas com o problema periodontal apresentam 3,5 vezes maior probabilidade de terem seus bebês com baixo peso e prematuros, isto pode se sedimentar no fato de mulheres grávidas com problemas de gengiva, e que apresentam níveis acentuados de prostaglandinas, que é um potente indutor de parto prematuro, no fluido gengival.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

PESQUISA VAI MAPEAR A FLUORETAÇÃO DAS ÁGUAS NO BRASIL




Primeira etapa: análise de dados de municípios com mais de 50 mil habitantes

O Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal (CECOL), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, vai coordenar uma pesquisa para identificar a cobertura de fluoretação na água de abastecimento público das cidades brasileiras. A adição controlada do flúor é uma das medidas de prevenção à cárie dentária.

O trabalho tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde, com a participação de instituições públicas e privadas dos 26 Estados brasileiros, mais o Distrito Federal. A previsão é que a pesquisa seja concluída até 2016.

"Na primeira etapa serão avaliados os dados de municípios com mais de 50 mil habitantes. Será feita uma busca documental sobre a fluoretação e naqueles municípios em que não houver informações consistentes, será feita a coleta da água e encaminhada para análise laboratorial.

Essa fase da pesquisa deve ser finalizada no segundo semestre de 2014 e, em seguida, será feito o levantamento em cidades com menos de 50 mil habitantes. Os dados disponíveis hoje sobre a fluoretação no País estão defasados e não há muito detalhamento. As informações deveriam ser fornecidas pelos próprios municípios ao Sistema de Informação (SISAGUA) do Programa de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, do Ministério da Saúde, mas mais da metade não alimenta o sistema.

A pesquisa também inclui entrevistas com os representantes dos órgãos de vigilância ambiental de cada Estado para serem identificadas quais as dificuldades para manter o SISAGUA atualizado, se falta capacitação profissional, equipamento ou outros.

Saúde Bucal

De acordo com coordenador do CECOL, professor Paulo Capel Narvai, a cárie dentária é, ainda hoje, um dos grandes problemas de saúde bucal no Brasil. "Apesar de ter melhorado a fluoretação nas águas, a presença de flúor nas pastas de dentes e ações educacionais sobre a higienização da boca, o problema ainda afeta crianças, adultos e idosos, principalmente, de regiões carentes".

Segundo Narvai, os níveis de cáries na população estão relacionados à questão socioeconômica e a diferença pode chegar até a 400% entre dois perfis distintos: o primeiro, branco, vivendo em cidades com mais de 100 mil habitantes da região sul do País, alta escolaridade e renda; o segundo perfil, negro, nordestino, vivendo em áreas rurais de cidades com menos de 5 mil habitantes.

"Entre as medidas conhecidas, a presença controlada do flúor na água é uma das mais recomendadas para enfrentar a cárie. Pesquisas mostram que pessoas expostas a fluoretação, reduzem em 60% a chances de apresentar cárie", conclui Narvai.

Fonte: Assessoria de Comunicação USP/ Foto: Marcos Santos / USP Imagens


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

TRAUMATISMO DENTÁRIO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA


Bitufo, marca de higiene bucal presente no mercado há mais de 25 anos, apresenta medidas preventivas que auxiliam na diminuição dos traumas bucais.

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Ao longo da vida, a criança passa por diversas fases com necessidades e características dentárias diferentes. Ao longo do seu desenvolvimento a criança passa a amplificar suas habilidades motoras, cognitivas e sensoriais, porém, enquanto esse processo ainda não está totalmente completo, ela fica vulnerável a uma série de perigos, que precisam ser monitorados de perto pelos adultos. Tombos, quedas, colisões estão diretamente ligados ao desenvolvimento infantil.
Dentro deste universo tão amplo, os responsáveis também devem se preocupar com traumatismos dentários que podem acometer os pequenos. As causas dos traumatismos são variadas e incluem choques contra superfícies duras, quedas de superfícies elevadas ou da própria altura, colisões com outras crianças, entre diversas outras origens. A manutenção de uma boa higiene bucal desde os primeiros meses de vida auxiliam a evitar trincas e até mesmo a quebra dos dentes.
infantil-1024-300x260A Bitufo possui uma completa linha de produtos infantis elaborada com o apoio de Odontopediatras. Os produtos, que incluem pastas de dente, géis bucais, escovas, entre outros, acompanham todas as fases do desenvolvimento das crianças até a adolescência.
Medidas preventivas podem ser tomadas para diminuir o risco de traumatismos dentários. Desta forma, é muito importante que os pais ou responsáveis estejam atentos às crianças, especialmente, quando elas começam a andar e a correr, ocasiões onde quedas e tombos são mais frequentes. “Após um acidente envolvendo a boca e os dentes, é imprescindível procurar um dentista, pois ele poderá dar um diagnóstico sobre as consequências do acidente, além de indicar o melhor tratamento para o traumatismo”, afirma Dra. Carolina Blum, dentista responsável pela marca Bitufo.
Na linha infantil, a Bitufo possui escovas clássicas e os modelos mais sofisticados, que visam incentivar a escovação e a manutenção da higiene bucal. São diversas escovas dentais com estampas dos personagens Ben 10, Cocoricó e Penélope Charmosa. Já a linha Kids, conta com ventosas que fixam o produto em superfícies lisas.
quadroFonte: Cruz, Eliane Raye Valim e Campos, Vera. Primeiros socorros para os seus filhos: traumatismo dentário: manual prático para pais, professores, técnicos e responsáveis / São Paulo : Santos, 2011.

Fonte: www.odontomagazine.com.br

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014


Cuidados bucais aos portadores da síndrome de Down

Hoje, no Brasil, mais de 300 mil pessoas são portadoras da síndrome de Down. A entrevista com a cirurgiã-dentista Dra. Jane Sanchez apresenta um pouco mais do universo destes pacientes tão especiais.

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Por: Vanessa Navarro

Odonto Magazine - A síndrome de Down é, dentre as anomalias genéticas, a de maior ocorrência. Existe um protocolo de atendimento definido pelas autoridades odontológicas para pacientes portadores de tal síndrome?
Jane Sanchez - A síndrome de Down foi descrita em 1866, pelo médico britânico John Haydon Down, que atribuiu à síndrome o termo mongolismo, devido à semelhança física com pessoas que habitavam a Mongólia. Entre tais semelhanças, estavam: a pequena prega no canto interno das pálpebras, a inclinação para cima das fendas palpebrais e o achatamento dos molares.
Em 1959, o cientista francês Jerome Lejeune demonstrou que a síndrome de Down era causada pela presença de um cromossomo extra do par 21, o que permitiu a sua denominação também como síndrome da trissomia do cromossomo 21.
As alterações sistêmicas e anatômicas da síndrome, incluem: hi-potonia muscular, desenvolvimento neuropsicomotor retardado, cardiopatia congênita, atresia duodenal, leucemia, entre outras.
Dentre as características faciais e orais, temos: menor crescimento crânio facial; menor número de cáries dentárias; e uma maior susceptibilidade à doença periodontal; possuem uma macroglossia relativa, devido ao pequeno espaço encontrado para o posicionamento da língua.
A incidência da síndrome de Down é de 1:800 nascimentos. Segundo dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), o número de casos no país supera os 300 mil.
Encontramos várias publicações de propostas de protocolo para atendimento aos pacientes com necessidades especiais.
Em 2010, o Conselho Regional DE Odontologia do DF e a Secretaria de Estado de Saúde criaram uma Comissão para Atendimento Odontológico ao Paciente com Necessidades Especiais e elaboraram um protocolo de atendimento, que pode ser encontrado em http://www.stdweb.com.br/stdweb/imagensCRO-DF/protocolo_final.pdf.
Este manual é muito interessante, pois auxilia o cirurgião-dentista na questão do atendimento, além de informar sobre a documentação do paciente.
Em 2012, um grupo de especialistas elaborou as Diretrizes para a Atenção à Pessoa com Síndrome de Down. Pela primeira vez, o Ministério da Saúde se mobilizou para estabelecer condutas para atendimento desse grupo populacional. Tais condutas estão disponíveis em:http://pt.scribd.com/doc/137474123/Diretrizes-Cuidados-Sindrome-Down.

Odonto Magazine - Algumas manifestações sistêmicas, como o funcionamento da glândula da tireoide, podem causar modificações no quadro de saúde bucal dos pacientes com síndrome de Down. Quais são as principais alterações sistêmicas? Como tais manifestações podem interferir na saúde bucal?
Jane Sanchez - O hipotireoidismo, o diabetes mellitus, a hepatite crônica ativa são alguns exemplos de patologias autoimunes, cuja incidência está aumentada nesses pacientes.
A prevalência de doenças da glândula tireoide em pacientes com síndrome de Down é alta. O hipotireoidismo é mais comum nestes pacientes. Os sinais e sintomas do hipotireoidismo, são: diminuição dos reflexos, pele seca, retardo no desenvolvimento intelectual e músculo esquelético, queda de cabelo, sonolência, aumento de peso, colesterol elevado, etc. Tais alterações podem interferir na saúde bucal, visto que interferem na saúde geral do paciente.
O diabetes mellitus, também frequente nestes pacientes, requer todos os cuidados inerentes aos pacientes com a patologia.

Odonto Magazine - Quais são as manifestações orais mais apre-sentadas pelos pacientes portadores da síndrome de Down?
Jane Sanchez - As manifestações orais na síndrome de Down incluem: mandíbula e cavidade bucal pequena, palato estreito alto e ogival, macroglossia relativa e língua geográfica. É comum a postura da língua aberta, devido a uma nasofaringe estreita, tonsilas e adenoide hipertrofiada. A protrusão da língua e a respiração bucal frequente resultam em secura e fissura dos lábios.
Na região das comissuras labiais, podemos observar a presença de queilite angular, devido à dificuldade do indivíduo em fechar a boca. A dentição apresenta anomalias características, e a doença periodontal é prevalente. Dentre as anomalias dentais, as mais frequentes referem-se à oligodontia, microdontia, hipodontia, fusão e taurodontia.
A hipodontia ocorre nas duas dentições e a microdontia é a mais prevalecente das alterações observadas. As anomalias dentárias de desenvolvimento, como as malformações coronárias e radiculares, também são comuns. Desarmonias oclusais, mordidas cruzadas posteriores, apertognatia e apinhamento pronunciado dos dentes são habituais nestes pacientes.

Odonto Magazine - Os pacientes com síndrome de Down, normalmente, apresentam algum tipo de alteração na composição salivar. Como esta modificação pode influenciar na saúde bucal geral?
Jane Sanchez - O fluxo salivar de pacientes com síndrome de Down é, em média, 50% menor do que em crianças normais. Esta redução está vinculada, preferencialmente, ao metabolismo da glândula parótida. Além disso, o pH salivar é mais alto, assim como os níveis de sódio, cálcio e bicarbonato. Consequentemente, a capacidade tampão também é elevada, o que acarreta uma baixa incidência de cárie.

Odonto Magazine - Qual é a importância da abordagem no atendimento do bebê com síndrome de Down nos primeiros seis meses?
Jane Sanchez - É muito importante examinar a cavidade bucal e detectar, precocemente, alguns problemas de saúde, propiciar a identificação e a intervenção prematura acerca de problemas, tais como: o desmame precoce, a anquiloglossia e as doenças bucais da primeira infância. Alertar quanto à erupção tardia dos dentes decíduos e a higiene, que deve começar antes da erupção, na cavidade bucal.
Uma alimentação adequada – do ponto de vista de consistência e qualidade – e o fracionamento das refeições têm influência direta na saúde oral.
A adoção de hábitos alimentares saudáveis na infância contribui para o bom crescimento, desenvolvimento e prevenção de doenças, portanto, é de fundamental importância detectar, precocemente, os erros alimentares, devido à repercussão na saúde oral e no estado nutricional.

Odonto Magazine - Alguns estudos apontam os benefícios do uso da toxina botulínica em determinados tratamentos odontológicos. Como a prática pode ser aplicada no caso de pacientes portadores da síndrome de Down?
Jane Sanchez - O uso da toxina botulínica para o controle do bruxismo nos pacientes que inviabilizam a utilização da placa miorrelaxante pode ser muito interessante, pois deve minimizar os efeitos do hábito de ranger os dentes neste grupo de pacientes.
Ao aplicar a toxina no masseter, a tensão diminui. Assim, o tecido não tem força suficiente para promover o atrito entre os dentes, capaz de causar desgaste.
A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina, neurotransmissor que transporta mensagens entre o cérebro e as fibras musculares. Sem ordens para se movimentar, o tecido relaxa e, quando sua tensão está por trás de tormentos, eles vão embora por, pelo menos, seis meses.
A toxina botulínica começa a atuar quatro dias depois da aplicação, e sua ação diminui com o passar do tempo.
A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação. Somente os intolerantes à lactose precisam evitá-lo, pois o açúcar do leite serve como uma espécie de veículo para a droga.

Odonto Magazine – Qual é a importância do bom relacionamento do cirurgião-dentista com a equipe multidisciplinar envolvida no cuidado ao paciente com síndrome de Down?
Jane Sanchez - Alguns serviços de cuidado e estimulação voltados para pessoas com síndrome de Down oferecem atendimento de uma equipe terapêutica essencial, constituída por: fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico, nutricionista, pedagogo, além de uma equipe de apoio, composta por: médico, enfermeiro, dentista e assistente social. A equipe terapêutica deve atuar, semanalmente, junto ao paciente e sua família; e a equipe de apoio com periodicidade mensal, bimestral ou semestral.
É muito importante que estes profissionais estejam afinados e em constante contato, para que possam contribuir para a qualidade de vida do paciente com síndrome de Down e de seus familiares.

Odonto Magazine - Quais são os cuidados que devem ser tomados quando existe a necessidade de contenção física?
Jane Sanchez - É necessária a investigação da presença de frouxidão ligamentar atlanto-axial, previamente ao uso de con-tenção física. Quando presente, esta alteração contraindica o uso da técnica de contenção, devido ao risco de ocasionar lesões à coluna vertebral.
A analgesia inalatória é obtida por meio do óxido nitroso (O2 / N2 O) e foi descoberta, em 1844, por um cirurgião-dentista norte americano chamado Horace Wells.
No início era aplicada apenas com óxido (N2 O), para o controle da dor com a finalidade de anestesia, porém, foi identificado que, se utilizada em maior dose de gás puro, pode causar um grande risco ao paciente, deixando-o em um estado de inconsciência. Devido a este fator, esta técnica foi aprimorada e, atualmente, está empregada associada ao oxigênio (O2), com a finalidade principal de efeito relaxante e não com objetivo de anestésico. É utilizada em associação do anestésico local, a fim de obter o efeito desejado, tornando-se um excelente coadjuvante das técnicas de condicionamento psicológico.
A sedação inalatória consciente com a mistura de N2O/O2 (óxido nitroso/ oxigênio) apresenta significativas vantagens em relação a outras vias de administração, sendo, atualmente, a técnica de sedação consciente mais segura para controle do medo e ansiedade. O fato se deve a ação rápida e, consequentemente, eliminação. Este procedimento é utilizado após o condicionamento psicológico.
É indispensável o conhecimento de toda a patologia que envolve o paciente com síndrome de Down, para que seja feita a medicação consciente e eficaz nos momentos que requerem a intervenção do profissional da Odontologia.
Faz-se necessário, o perfeito entrosamento entre o médico e o dentista, para garantirmos a saúde e a qualidade de vida de nosso paciente.
Os pacientes portadores da síndrome de Down podem ser cardiopatas, diabéticos, hipertensos ou podem não apresentar nenhuma destas patologias. Cabe aos profissionais envolvidos, partilharem informações importantes para o cuidado necessário.

Odonto Magazine - Como a questão da qualidade de vida deve ser trabalhada pelos profissionais de saúde bucal junto aos pacientes portadores da síndrome?
Jane Sanchez - A discriminação contra as pessoas portadoras de síndrome de Down e as suas famílias, infelizmente, existe. Eles enfrentam, muitas vezes, o estigma, a segregação, a violência física e psicológica e a falta de igualdade de oportunidades.
O cirurgião-dentista deve garantir a saúde bucal aos pacientes por meio de ações preventivas e direcionadas aos cuidadores. Devem dar a oportunidade de cuidados estéticos, para que a autoestima seja sempre cultivada. Ela é essencial para este grupo de pacientes.
Os cuidadores e familiares dos pacientes com síndrome de Down perceberam que o melhor para todos é não escondê-los da sociedade, como muitos fizeram no passado, pois, quanto mais estes indivíduos forem vistos e conviverem com a população em geral, mais fácil será superar o preconceito.

Odonto Magazine – Como o profissional de saúde bucal deve agir para buscar capacitação e/ou treinamento no segmento de cuidados odontológicos aos pacientes portadores de síndrome de Down?
Jane Sanchez - Em todo o Brasil, temos cursos de especialização oferecidos aos cirurgiões-dentistas.
O curso de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, reconhecido pelo Conselho Federal de Odontologia – CFO, tem por objetivo o diagnóstico, a preservação, o tratamento e o controle dos problemas de saúde bucal dos pacientes que apresentam uma complexidade no seu sistema biológico e/ou psicológico, e/ou social, bem como percepção e atuação dentro de uma estrutura interdisciplinar com outros profissionais de saúde e áreas correlatas com o paciente.
Fonte: www.odontomagazine.com.br



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

QUASE 10 MILHÕES DE BRASILEIROS PRECISAM DE CIRURGIA NOS MAXILARES



Estimativa é feita pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia
Bucomaxilofacial, com base em pesquisas realizadas por institutos americanos e literatura nacional

 
O procedimento ainda é pouco conhecido e o nome pode até soar estranho, mas cerca de 10 milhões de brasileiros precisariam se submeter a uma cirurgia ortognática para a correção de problemas na maxila ou na mandíbula. A estimativa é feita pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Mario Francisco Real Gabrielli, com base em pesquisas realizadas por institutos norte-americanos e na literatura nacional da área.
"De acordo com os números, 60% da população do país necessita de algum tipo de tratamento ortodôntico, mas 5% só resolveria o problema se passasse pela intervenção cirúrgica", calcula o cirurgião bucomaxilofacial. Além de deixar o rosto assimétrico e esteticamente comprometido – fator que na maioria das vezes provoca o isolamento
social dos pacientes, pois precisam conviver com as "brincadeiras" maldosas das pessoas –, ter o queixo pra frente ou pra trás causa problemas funcionais graves, como apneia, dores na musculatura do rosto, dores na ATM, enxaquecas e até disfunções estomacais (devido à mastigação incorreta).
De acordo com Gabrielli, apesar de ainda ser considerada baixa, a quantidade de pessoas que buscam informações e decidem iniciar o tratamento cirúrgico vem crescendo. "O número de pacientes que têm acesso aos tratamentos em clínicas privadas ou em cursos é cada vez maior, e a quantidade de cirurgiões que realizam o procedimento também está aumentando." Segundo ele, quando o problema é moderado e o paciente ainda está em fase de crescimento, é possível usar técnicas de direcionamento para colocar os dentes na posição correta, mas, se a pessoa já for adulta, as compensações ortodônticas não chegam a resultados tão eficazes.

Uso do aparelho ortodôntico
Para que a intervenção cirúrgica possa acontecer, os dentes de cima e os de baixo precisam estar alinhados em suas respectivas bases ósseas, e esse posicionamento só é possível com a utilização de aparelhos ortodônticos fixos. Isso porque, para compensar o desalinhamento que ocorre entre a maxila e a mandíbula, os dentes acabam se movimentando pouco a pouco para melhorar a oclusão da boca. Por essa razão, o uso do aparelho é indispensável para a realização da cirurgia – o tempo de permanência com ele pode variar de seis meses a dois anos.

Fonte: Folha Online