terça-feira, 30 de abril de 2013

AMAMENTAR FAZ A DIFERENÇA



Amamentação materna contribui para o crescimento dos músculos e ossos faciais do bebê.

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Segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados no ano passado, as mamães curitibanas amamentam seus bebês no peito por cerca de 10 meses, tempo inferior à média nacional que é de 11 meses. Por outro lado, o índice de aleitamento na primeira hora de vida é de 71,2%, enquanto a média nacional é de 67,7%. “A amamentação materna é de extrema importância, pois desenvolve e fortalece a musculatura orofacial e contribui no desenvolvimento da região dentofacial”, ressalta Gerson Köhler, ortodontista e ortopedista-facial da Köhler Ortofacial.
Com a amamentação, o bebê aprende a respirar e a realizar as funções de mastigação e deglutição corretamente. Durante os intervalos da sucção do leite, toda a musculatura é fortalecida. “Quanto mais o bebê puder mamar no seio da mãe, melhor será seu desenvolvimento. Os dentes decíduos começam a aparecer mais tarde, por volta dos seis meses, ocasião em que já há o crescimento facial necessário para tal”, explica o especialista.
De acordo com a fonoaudióloga Nilse Waltrick Köhler, especialista em Distúrbios Miofuncionais da Face da Köhler Ortofacial, o ato de mamar é que dá início a toda a dinâmica da cadeia neuromuscular das estruturas que fazem parte das funções de fonação, mastigação, respiração e deglutição. “Este sistema está totalmente ligado aos componentes do rosto e ao sistema respiratório”, acrescenta.
Os estímulos feitos pela sucção estimulam a mandíbula, auxiliando no seu crescimento e no prepara para o futuro processo de mastigação. Nilse esclarece que a sucção é considerada a primeira fase que precede a mastigação e se ela não for realizada no tempo devido e da forma correta pode prejudicar o desenvolvimento das estruturas faciais. “As alterações nas funções respiratórias e de deglutição são nocivas e causam crescimento facial inadequado”, aponta a fonoaudióloga.
Gerson destaca que todo o comportamento motor neuromuscular da face é comandado pela sucção, deglutição e respiração e por isso o aleitamento materno se torna fundamental no desenvolvimento harmônico e estético da face. “A amamentação contribui tanto na área nutricional quanto na afetiva e no crescimento muscular e ósseo do bebê”, acrescenta.
Quanto ao uso de mamadeira e chupeta, Nilse alerta que a criança pode adquirir hábitos inadequados, como respirar pela boca – o que altera o crescimento e desenvolvimento da face e causa distúrbios miofuncionais. “As chupetas artificiais acabam confundindo o bebê, ocasionando o mau posicionamento da língua no seio, reduzindo a quantidade de leite e consequentemente o desmame precoce”, observa.
Além disso, há outros danos como a falta de estímulo da musculatura orofacial – quando o bico da chupeta está muito aberto e a criança apenas engole o leite, sem exercitar os músculos – ou excesso de trabalho muscular, quando o bico é muito fechado e o bebê tensiona os músculos errados. “Isto acaba tornando as arcadas dentárias pequenas, sem espaço para os dentes e a língua”, complementa Gerson.
Nilse observa ainda que é por meio da sucção do leite materno que o bebê exercita e fortalece os músculos responsáveis pela articulação das palavras. “A língua, os lábios e a bochecha precisam ser estimulados para que a criança consiga – na época certa – falar corretamente”, finaliza.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

SAÚDE BUCAL NO AMBIENTE DE TRABALHO



A Odontologia do Trabalho tem por objetivo analisar, interpretar e solucionar os problemas bucais que afetam os trabalhadores no seu dia a dia laboral, prevenindo doenças decorrentes da atividade e/ou exposição a que se submete o empregado, como contato com ácidos, metais, gases, altas temperaturas, exposição contínua ao sol, contatos com doces, etc.

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As doenças bucais comprometem a saúde do indivíduo, interferindo negativamente na sua qualidade de vida e afetando sua atividade produtiva. Por isso, é importante que as empresas coloquem em prática políticas institucionais relacionadas ao tema.
Profissionais e estudiosos no assunto afirmam que um programa de avaliação odontológica periódica, para realizar medidas preventivas, pode manter a saúde bucal dos trabalhadores em condições adequadas. Um trabalhador que sofre com dor de dente, por exemplo, pode perder a concentração, facilitando a ocorrência de acidentes e erros técnicos. Alterações no seu humor e comportamento também podem ocorrer, tornando-o mais propenso a discussões e à intolerância.
A Resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) nº116/2012, em seu artigo 67, definem como áreas do especialista: a identificação de fatores ambientais do trabalho que possam trazer riscos à saúde bucal; atenção à segurança, ergonomia, higiene e ao uso de equipamentos de proteção individual; implantação de programas para educação dos trabalhadores quanto a acidentes do trabalho e doenças ocupacionais; organização de índices de mortalidade e morbidade relacionados com as atividades laborais; realização de exames odontológicos com fins trabalhistas; análise socioepidemiológica dos problemas de saúde bucal do trabalhador.
O próprio artigo 154, da CLT, revela a complexidade do relacionamento entre o homem e o ambiente e do seu caráter multidisciplinar, ao destacar que os locais de trabalho devem seguir não apenas as disposições mínimas contidas nas leis trabalhistas, mas também posturas municipais e estaduais que influam no tema. É possível, também, que os sindicatos dos empregados e representantes dos empregadores discutam normas coletivas que estipulem cláusulas convencionais que influam no ambiente de trabalho, como a melhoria do conforto, a estipulação de algumas pausas reparatórias, facilidades para higiene, etc.
Existem, pelo menos, 21 Convenções da OIT – Organização Internacional do Trabalho – regulando matéria de Saúde e Segurança do Trabalho. A Convenção 155 e a Convenção 161 estão entre as mais abrangentes, detalhando a pertinência dos serviços de saúde no ambiente laboral e as medidas de segurança de trabalho.
No Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou em 2013, em caráter conclusivo, proposta que torna obrigatória a presença de cirurgiões-dentistas em hospitais públicos e privados de médio ou grande porte, onde haja pacientes internados ou que atendam aos doentes crônicos, sempre com o objetivo de garantir a higiene e a saúde bucal desses pacientes, evitando problemas como cáries, entre outras doenças.
É necessário estudar como esse projeto pode ser implantado nas empresas para que não pareça apenas mais um simples custo adicional. Na verdade, antes mesmo da soma de mais uma obrigação, deve-se envolver os interessados, esclarecer os benefícios da implantação da medida, não só para os trabalhadores, como para as próprias empresas.
A Odontologia do Trabalho é um debate essencial à vida das pessoas e das empresas e à sociedade num geral, ainda que, neste momento, devêssemos pensar (e discutir) essas mudanças com o lápis; fazer rascunhos, esboços, leves e efêmeros.
 Fonte: www.odontomagazine.com.br

quarta-feira, 27 de março de 2013

PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA ALVEOLITE SECA



Sinonimos: Aveolite sicca, osteite alveolar
Critérios de diagnóstico: Dor severa começando 24 a 48 horas depois da exodontia. Irradiação da dor para o ouvido no caso de dentes na mandibula. Ausência de coágulo intra alveolar. Paredes do alvéolo claras e muito sensível ao toque. Halitose e Trismo.
Etiologia: Multifatorial: Traumatismo cirúrgico
                                      Infecção bacteriana
                                      Fatores sistêmicos
                                      Uso de vaso constrictores

Incidência: 3 a 20%, mais frequentes na mandíbula e nos pre-molares e molares.

Fatores de risco: Exodontia mandibulares
                              Exodontia de dentes inclusos mandibulares
                              Exodontias complexas e traumáticas
                              Exodontias em pacientes do sexo feminino que fazem uso de anticoncepcionais
                              Higiene oral deficiente
                              História local de pericoronarite
                              GUNA ( gengivite ulcerativa necrosante aguda)
                              Tabagismo
                              Densidade óssea elevada
                              História anterior de alveolite seca

Prevenção: História clínica com identificação de fatores de risco
                     Medidas de higiene oral antes das exodontia
                     Estudo pré-operatório de modo a programar osteotomias ou odontossecção em exodontias   complexas
                     Traumatismo mínimo e menor tempo possível na intervenção cirúrgica
                     Não realizar exodontias com infecção local ativa
                     Profilaxia antibiótica prévia em pacientes de risco ( imunosupressão, presença de infecção local e outros fatores de risco
                     Nos tabagistas solicitar abstinência do fumo 24 hs antes e 7 dias no mínimo após a exodontia
                     Nas mulheres que fazem uso de anticoncepicionais, realizar a exodontia preferencialmente entre o 23º e o 28° dia do ciclo ovulatório
                     Não fazer uso de enxaguatórios orais ( bochechos), nos 3 dias seguintes a exodontia
                     Realizar escovação dentária cuidadosa na região operada nos primeiros 7 dias
                     Recomendar contato urgente em caso de dor intensa que não responde a prescrição recomendada

Tratamento: Radiografias para pesquisa de presença de fragmentos intra alveolares
                      Irrigação dos alvéolos com solução contendo clorexidina a 0,12%, havendo necessidade aplicar anestesia sem vaso constrictor e preferencialmente troncular
                      Curativo com material antisséptico não irritante e preferencialmente reabsorvível para prevenção de infecção bacteriana ou fûngica e impedir a entrada de alimentos nos alvéolos
                      Prescrição de analgésicos, antinflamatórios e antibióticos, penicilinas ou derivados sintéticos, quando houver presença de ecxudato (pús)
                      Acompanhamento do paciente enquanto houver dor
                      Após a remoção do curativo ou reabsorção deve ser feito bochechos com solução contendo clorexidina a 0,12% por mais 7 dias
                             

quinta-feira, 21 de março de 2013

BRUXISMO DO SONO É MANIFESTAÇÃO BUCAL DE ALTERAÇÃO SISTÊMICA



A séculos que o bruxismo representa um grande problema para a Odontologia, tanto pelas alterações que provoca nas estruturas bucais, como o desgaste dentário, fraturas de restaurações, piora da doença periodontal e disfunção da ATM, quanto pela dificuldade em se definir sua verdadeira origem.
Dentre as causas do bruxismo citadas por diversos autores estão o estresse, a reação a fármacos, associação com doenças psiconeurológicas e, menos aceito atualmente, uma reação motora reflexa à alterações dentárias e oclusais.
Várias hipóteses já foram levantadas sobre as causas do bruxismo em geral, mas pelo menos quando se trata do bruxismo do sono, parece haver cada vez mais certeza que este faz parte de uma ativação simpática sistêmica que ocorre em ciclos durante o sono.
Assim, no bruxismo do sono há uma ativação motora mastigatória rítmica (RMMA), associada ao aumento da função cardiorespiratória, vasoconstricção periférica e superficialização dos estágios do sono, podendo culminar em despertares e movimentos de todo corpo.
Em um trabalho recente de um dos grupos mais importantes do mundo no estudo das alterações do sono, a pesquisadora Angela Nashed observou que o bruxismo do sono, quando associado aos despertares e movimentos do corpo, está estatisticamente relacionado à um aumento da pressão arterial sistêmica. Este aumento da PAS é mais significativo se a RMMA ocorre com a movimentação do corpo.
Este trabalho eleva o status do bruxismo a uma manifestação bucal de doença sistêmica que, através da observação atenta do cirurgião dentista, pode levar ao diagnóstico precoce da silenciosa hipertensão arterial sistêmica, ou pelo menos de sua manifestação durante o sono (veja aqui o artigo publicado na Revista Sleep).
Obviamente há necessidade de realização de uma polissonografia para a detecção tanto das contrações massetéricas e temporais, quanto das alterações autonômicas de origem simpática.
Fica assim o alerta para os pacientes, cirurgiões dentistas e laboratórios de estudo do sono.
Fonte: blogmedicinaoral

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

DA CÁRIE AO HERPES, VEJA COMO COMBATER OS INIMIGOS DA SAÚDE BUCAL



Saiba como evitar cáries, gengivite, halitose, herpes, afta. Para começar, o cuidado com a higiene bucal não pode ser deixado de lado
Foto: Shutterstock
A boca tem seus inimigos declarados – cáries, gengivite, mau hálito. Apesar de serem conhecidos, grande parte da população é acometida por essas doenças comuns. Mais conhecida ainda é a maneira de prevenir esses males: higiene bucal. Quando a escova e o fio dental são deixados de lado, entra em cena o biofilme oral – também chamado de placa bacteriana. Essa é a fonte da maioria dos problemas orais.
Para esclarecer como esses vilões invadem a boca, o cirurgião-dentista, Hugo Roberto Lewgoy, professor da Anhanguera UNIBAN, explica o que é cada doença oral e seus perigos.
CÁRIE
“A cárie atinge mais de 80% da população mundial, ou seja, existem cerca de cinco bilhões de pessoas acometidas por esta doença em todo o mundo”, diz Lewgoy. O tal do biofilme oral, quando acumulado, transforma a boca em um ambiente perfeito para a proliferação excessiva de bactérias. Neste caso, os microrganismos que utilizam os açúcares com fonte de energia, promovem um processo de fermentação.O pH oral fica ácido e provoca a desmineralização dos dentes e, consequentemente, as cáries. Em uma fase inicial, a doença destroi apenas o esmalte do dente, mas não há dor. Quando o caso fica mais sério, a cárie chega ao esmalte e à dentina, e forma uma cavidade no dente. O dente fica sensível ao frio e quente. Quando atinge vasos e nervos, a destruição do dente atinge a polpa, o que pode causar um abscesso e evoluir para granuloma. 
 GENGIVITE E PERIODONTITE 
O acúmulo do biofilme também é o responsável pelas doenças periodontais. A inflamação da gengiva (gengivite) é caracterizada por vermelhidão, inchaço e sangramento na região. “Estima-se que apenas dois em cada dez adultos têm as gengivas sadias”, diz Hugo Lewgoy. Se a pessoa é um pouco desleixada com a higiene, o tártaro precisa ser removido por um dentista. Do contrário, o quadro pode evoluir para periodontite. Os tecidos que servem de suporte para os dentes são prejudicados e há risco de perda de dentes. Apesar de a dor se manifestar apenas com estímulo – durante a escovação, por exemplo – é preciso ficar atento. Normalmente, as pessoas associam a doença com a ocorrência da dor. “Como na grande maioria das vezes a gengivite é assintomática ela acaba sendo detectada apenas em estágios mais avançados, quando os danos já são maiores”. 

HALITOSE
Apesar de a sabedoria popular apontar problemas estomacais como as principais causas da halitose, em 90% dos casos, o problema está na boca mesmo. Como a maior parte das doenças bucais, o mau hálito é provocado por falta de higienização, principalmente da língua. Ao olhar no espelho e colocar a língua para fora, se houver uma camada esbranquiçada no fundo da língua, é possível que haja saburra lingual – bacatérias acumuladas que liberam enxofre, o responsável pelo odor desagradável. Para prevenir, além da escova, fio dental e limpador de língua, é importante beber bastante água e evitar tabaco e bebidas alcoólicas.

AFTA
A doença causa úlceras na mucosa bucal. Atinge cerca de 20% da população mundial, sobretudo jovens, com leve aumento entre as mulheres. São extremamente dolorosas. “Elas podem ser brancas ou amareladas e podem aparecer na mucosa bucal, língua, gengiva”, diz a estomatologista, Carméli Sampaio, consultora científica da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). Ainda não se sabe quais são as causas, mas a incidência maior é ligada a predisposição genética, trauma, alergia, hormônios, estresse e doenças autoimunes. Se a lesão permanecer por mais de três semanas, é indicado procurar um médico ou dentista.

BOCA SECA OU XEROSTOMIA 
O avanço da idade, bebidas alcoólicas, tabaco e medicamentos podem diminuir a produção de saliva na boca. O problema é que a saliva tem funções importantes, como neutralizar o pH oral, além dos anticorpos contém, que protegem a saúde bucal. A xerostomia pode acarretar em dificuldade para falar, mastigar e engolir. 

HERPES 
Aquelas pequenas feridas formadas por bolhas que causam ardor, formigamento e coceira nos lábios são chamadas de herpes. Cerca de 90% da população mundial possuir o vírus do herpes, mas somente 10% desenvolvem as feridas. A doença se manifesta quando a imunidade do corpo está baixa e, no caso das mulheres, durante a menstruação. Uma vez que a ferida estoura, é altamente contagiosa. O herpes geralmente se manifesta nos lábios ou na região genital, mas pode aparecer no nariz, olhos, bochecha, nádegas e coxa. A transmissão ocorre quando uma pessoa com o herpes manifestado encosta na pele de outra, inclusive em relações sexuais. Para evitar que as feridas apareçam é indicado tomar cuidado com a exposição ao sol ou frio intenso, além de cuidar da imunidade com alimentação balanceada e se hidratar bem. "Todos têm contato com o VHS na infância, mas a maioria desenvolve resistência a ele", diz o estomatologista Carlos Eduardo Ribeiro da Silva. "Não existe cura para o herpes. Porém, medicamentos antivirais conseguem amenizar os sintomas e acelerar o desaparecimento das bolhas", garante.



 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

AMAMENTAÇÃO E ODONTOPEDIATRIA



Amamentação natural é fundamental para o correto crescimento e desenvolvimento do rosto.

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A atração entre duas pessoas começa a partir de estímulos visuais. Uma olha a outra e, de maneira inconsciente, cada um analisa se aquele indivíduo pode ser um bom parceiro. A estrutura física deve ser harmoniosa e cada parte deve ser proporcional às demais, constituindo um corpo belo e atraente. O rosto não escapa desta avaliação. A face é a área mais visível do organismo e sua imagem fica gravada na memória, para diferenciar uns aos outros. A harmonia do rosto depende de vários fatores e os cuidados devem começar logo após o nascimento do bebê.
Segundo o ortodontista e ortopedista facial Gerson Köhler, a amamentação é fundamental para o correto desenvolvimento e crescimento do rosto. Ao se alimentar no seio da mãe, o bebê realiza movimentos que exercitam a respiração e a musculatura facial. A sucção do leite e a deglutição, ou ato de engolir, fortalece os músculos e direciona a formação dos ossos. “Enquanto a criança mama no seio materno, três necessidades estão sendo supridas. A primeira é a alimentação, a segunda é a exercitação da região bucal e a terceira é a satisfação psicoemocional”, explica o especialista, que atua na Köhler Ortofacial.
Enquanto o neném se alimenta no seio da mãe, são feitas de cinco a 30 sucções por minuto. A quantidade de movimentos depende do tamanho da fome. Gerson observa que a ação dos músculos só é feita da maneira adequada e saudável se houver a amamentação diretamente nas mamas. “O uso de mamadeira pode vir a ser muito danoso em termos de desenvolvimento facial normal. O fluxo do leite muda com os bicos artificiais, mesmo que tenham o chamado formato ‘ortodôntico’, obrigando o bebê a alterar a posição da língua e a engolir de forma errada. Em longo prazo, há consequências para o rosto e as arcadas dentárias”, afirma.
A amamentação materna também influencia a fala. A fonoaudióloga Nilse Köhler, profissional que integra a equipe interdisciplinar da Köhler Ortofacial, ressalta que esta função da comunicação depende da correta estrutura muscular e óssea do rosto. O posicionamento da boca nos mamilos estimula os pontos articulados que produzirão os fonemas. “Amamentar não é apenas alimentar a criança, mas prepará-la também para falar. O fortalecimento e tonificação da língua, bochechas e lábios são essenciais, já que estes músculos são responsáveis pela geração das palavras”, enfatiza.
Chupar os dedos, respirar pela boca e morder objetos – de forma continuada, crônica – são outras atitudes que prejudicam o desenvolvimento facial infantil. Isto acontece porque a função dos músculos faciais é alterada, modificando a estrutura óssea que tem muita plasticidade e começa a ser alterada em relação ao normal. “O rosto é a região corporal mais suscetível a deformações. Os pais devem dar atenção a este fato, pois tudo o que acontece na infância tem reflexos no futuro. Na fase infantil os ossos são extremamente maleáveis, portanto, se a ação muscular for inadequada, a base óssea também será”, esclarece Nilse, especialista em distúrbios funcionais orofaciais.

Respiração bucal é vilã do desenvolvimento do rosto
Gerson aponta que a respirar pela boca é uma das principais causas da alteração do crescimento facial. A respiração correta é caracterizada pelo uso das narinas que filtra, aquece e umidifica o ar inspirado e não deve ser feita pela boca. Caso a criança respire incorretamente, pode haver sintomas como baixo rendimento escolar, distúrbios do sono, irritabilidade, dores de cabeça, sonolência diurna e redução da concentração. “A respiração bucal provoca a geração progressiva de alterações ortopédicas e ortodônticas da região dentofacial e deve ser combatida precocemente”, alerta o ortodontista.
O acompanhamento com especialistas ajuda a identificar qualquer modificação no crescimento do rosto. Nilse recomenda cuidados precoces para garantir o desenvolvimento normal e harmonioso da face. A Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica (MOFP) é uma boa estratégia. “A MOFP é uma maneira de prevenir e intervir precocemente nas alterações do rosto, que deve estar em sua melhor forma de beleza e funcionalidade, assegurando a saúde geral de todo o organismo. Bons hábitos devem ser estimulados na infância para que na fase adulta o corpo seja saudável”, acrescenta.

Fonte: Assessoria de Imprensa



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

ODONTOLOGIA DO IDOSO




O atendimento odontológico para idosos requer cuidados diferenciados, que levem em conta seu histórico médico, com a colaboração de profissionais de diversas áreas, como medicina e psicologia.

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A conclusão está no livro “Odontogeriatria: uma Visão Interdisciplinar”, escrito pelo dentista Fernando Montenegro, do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, mantido pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Além de dentistas, a publicação contou com a colaboração de gerontólogos e psicólogos, abordando patologia, farmacologia, tratamento odontológico em casos de Alzheimer, Parkinson, câncer, doenças cardiovasculares e AVC, além do atendimento odontológico em UTI e em domicílio.
De acordo com o dentista, uma abordagem global faz toda diferença no tratamento ao idoso. “O paciente necessita de um tratamento em que seu histórico médico seja levado em consideração”, aponta. “É importante que o dentista tenha um bom relacionamento com os demais médicos do paciente, porque nem sempre ele vai dizer ao seu dentista se está com o diabetes controlado, por exemplo. E essa é uma informação importante, que pode ter influência no tratamento.”
O caminho inverso também é importante. O principal problema bucal que afeta os idosos, a redução do fluxo salivar, é, segundo Montenegro, efeito colateral do consumo contínuo de remédios receitados pelos demais médicos para controle de hipertensão e diabetes, doenças crônicas comuns na terceira idade. Como consequência dessa redução, ocorre maior incidência de cáries e lesões na mucosa da boca, que sustentam as próteses, levando o paciente a sentir dor.
Por causa da dor, o paciente a para de usar a prótese e, portanto, deixar de consumir todos os alimentos importantes para uma dieta saudável. Com isso, ele fica mais suscetível às doenças. Também pode acontecer aumento no consumo de certos nutrientes, pois a saliva é importante na limpeza das papilas gustativas, que são responsáveis pelo reconhecimento do sabor dos diferentes alimentos. Pouca saliva significa pouca limpeza nessas papilas e o resultado é que a percepção de sabores como doce ou salgado fica prejudicada e a pessoa idosa passa a temperar mais a comida, podendo exagerar no açúcar ou no sal e tendo problemas no controle de diabetes ou hipertensão.

Bem-estar psicológico
O odontólogo também defende, a partir de agora, uma abordagem preventiva por parte dos dentistas. “Nossa profissão só descobriu como prevenir cáries e problemas de gengiva nos ano 1950. As pessoas que hoje são idosas não tiveram contato com essas descobertas e chegavam aos 30 anos de idade já com os dentes irremediavelmente danificados ou com dentaduras”, explica Montenegro.
O grande problema das próteses é que nem sempre os pacientes cuidam dela. Próteses muito antigas não permitem mastigação eficiente. A mastigação ineficaz impede boa absorção dos nutrientes da dieta, função muito importante para fortalecer a saúde dos idosos. “Os médicos pedem para o idoso manter uma dieta balanceada, consumir muitas fibras, mas se os dentes, ou a prótese, não estão bem, a pessoa não consegue seguir essas orientações”, diz.
Além da importância fisiológica, uma boa dentição é importante para o idoso porque garante boa aparência e melhora a fonética. Dentes quebrados influem na passagem do ar, resultando em alterações na fonética e impedindo boa compreensão do que a pessoa quer dizer. Com boa aparência, e fala melhorada, o paciente recupera a auto-estima, se socializa mais, e pode até tentar se reinserir no mercado de trabalho. Essas atividades são importantes para o idoso, que está mais sujeito à depressão, por exemplo.
Não apenas a carência nutricional contribui para as doenças. “A saliva tem propriedade antibióticas, capaz de controlar as bactérias que habitam a boca. Essas bactérias podem alimentar os problemas de pulmão do paciente, então a boca e a língua devem estar sempre limpas. Mas nem sempre os profissionais que cuidam do idoso sabem disso. É por isso que temos que compartilhar a informação”, defende Fernando.
O livro, publicado pela Editora Elsiever, será lançado no primeiro Congresso Interdisciplinar de Odontologia (Ciosp) da Associação Paulista dos Cirurgiões-Dentistas (APCD), que acontece entre os dias 31 de janeiro e 3 de fevereiro, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Mais informações podem ser obtidas por meio do telefone (11) 3061-7882.

Fonte: USP on-line